TSE é alertado sobre possíveis ataques de hackers nas eleições

Técnicos relatam riscos de vazamento em massa do cadastro eleitoral, de manipulação do sistema de óbitos, entre outras ilegalidades

Em novembro de 2020, o Superior Tribunal de Justiça foi alvo de um ataque cibernético que impediu servidores e ministros de acessar seus arquivos e emails. Na ocasião, o andamento de milhares de processos foi paralisado por cerca de uma semana.

Recentemente, uma equipe de nove técnicos em informática alertou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que algo semelhante poderá atingir a Corte às vésperas das eleições de outubro, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. E o tribunal começou a redobrar as medidas de segurança para se prevenir.

– Pensemos num ataque de ransomware, às vésperas do pleito de 2022, em que todos os computadores da Justiça Eleitoral amanheçam criptografados, apresentando uma mensagem em sua tela de pedido de resgate para a liberação de seus conteúdos. São situações extremas, mas perfeitamente possíveis de ocorrer – avisa o relatório interno de 2021.

Os técnicos dizem que há riscos de vazamento em massa do cadastro eleitoral, de manipulação do sistema de óbitos e de direitos políticos para incluir candidatos inaptos, e de acesso a dados restritos para a venda ilegal no mercado paralelo.

– Ocorrências como essas colocariam em xeque todo o sistema eleitoral e até mesmo a estabilidade do regime democrático e de direito, catalisando as forças contrárias que existem em nossa sociedade – escreveram os técnicos em um relatório.

Diante do cenário global de “recrudescimento das ameaças”, a Corte vem implementando medidas para proteger o sistema eleitoral em Brasília e também nos tribunais regionais.

Uma das metas do TSE é preservar a credibilidade do sistema. Na disputa eleitoral de 2020, por exemplo, os ataques cibernéticos detectados não afetaram os sistemas de apuração de votos, de acordo com o TSE. A ação, segundo apuração da equipe técnica do tribunal, usou dispositivos do Brasil, dos Estados Unidos e da Nova Zelândia.

O presidente Jair Bolsonaro, que vem intensificando às críticas às urnas eletrônicas nos últimos meses, citou esse ataque hacker para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e defender o voto impresso.

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