Trégua De Natal…

Barulho, muito barulho, bombas, tiros, gritos, medo e coragem, gelo e lama, ferimentos leves e mortais, o horror aos poucos se tornar natural, aquele amigo ao lado, companheiro que faz planos de lhe visitar no próximo verão, é alvejado, nada mais pode ser feito, só lhe resta minutos de vida, uma carta para sua mãe, ele te entrega, está manchada de sangue, sangue de um Menino que se tornou Homem no front, não teve tempo de estudar ou conhecer uma boa garota, por alguns minutos o barulho cessa, o silêncio é quebrado pelos murmúrios e choros reprimidos, orações a Deus pelos que partiram e um pedido unânime, Deus, Deus, pare com essa guerra, nossas almas estão partidas, nossas forças no limite, e a humanidade se esvaindo junto com nosso sangue suor e lágrimas.

O Natal está próximo, como celebrar o nascimento do Deus menino, do Cristo vivo que desceu do céu, que se fez carne e deu sua vida por nós, em meio a tamanha violência e carnificina?

Deus, daí-nos a paz, que seja um dia, mas nos permita celebrar seu aniversário.

Loucura? Em plena Grande Guerra, pedir por um dia de paz? Quem em sã consciência acreditaria em um armistício naquele momento? O inimigo estava ali, a 30 metros de distância, a terra de ninguém em Ypres, era o local mais violento e sanguinário do planeta e nada poderia mudar isso, olhem a volta, pilhas de mortos, sangue e lama, fome, cansaço, mas o silêncio no dia 24, deu um sinal de paz, e a coragem tomou conta de um jovem soldado, não sei o nome dele, mas…

“Noite feliz, noite feliz… “

Começou a cantar músicas natalinas, isso contagiou todos os seus amigos, e a coragem de cantar e fazer fogueiras mesmo que isso os denunciasse as suas posições, não se importaram, o inesperado acontece, do outro lado do front, nas trincheiras inimigas, a canção é reconhecida, começam a cantar em seu respectivo idioma, o barulho de tiros, bombas e lamúrias, foi substituído por um coral improvável, dois tiros para o alto interrompem as cantigas, todos atentos, um soldado se levanta, se torna um alvo fácil, mas o cristão do outro lado não atira, ele espera, ao ver que seu irmão, outrora inimigo vem em sua direção, desarmado, munido de presentes, um a um se levanta, e indo nas direções uns dos outros, sorriem, todos entenderam que naquela noite não, não haveria violência, apertos de mãos e abraços, troca de presentes, comida compartilhada, famílias sendo apresentadas por meio de fotografias, sim, Deus ouviu as orações dos justos, naquele momento, a guerra parou, o cristianismo ardeu nos corações, o verdadeiro sentido do Natal reinou naquele dia, quem poderia imaginar um alemão fazendo a barba de um francês ou vice e versa, com uma navalha afiada e nada além de honra e respeito mútuo?

Alguém tinha uma bola de futebol, e bola pro mato que o jogo é de campeonato, nem teve divisão e 11 de cada lado, foi TD mundo de uma só vez bater uma bolinha, ali não importava quem ia ganhar ou perder, pois todos haviam ganho um dia de paz, celebraram a Cristo, viveram o verdadeiro natal, A Trégua De Natal foi uma história marcante dos tempos modernos, já longínquo nos seus mais de 100 anos, mas muito atual, em tempos onde tratamos até mesmo nosso próprio sangue com indiferença, precisamos olhar para o passado e aprender com os bons exemplos, a trégua de Natal, foi encerrada e cada um voltou para seu lado do front, a guerra continuou, mas aquelas canções natalinas daqueles que buscaram a paz por um dia, ecoam pela eternidade.

Celebre o natal como se deve, Lembre-se do aniversariante, não é sobre comida e festa apenas, mas também é um momento de reflexão, mudança de conduta e paz por onde quer que vá.

Feliz Natal…

Fabrício Gomes.

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